Monday, 8 December 2014

Oratio Sapientiae Dr. Mari Alkatiri


"Oratio Sapientiae"

Proferida na Cerimónia de Graduação de Finalistas da UNTL

por Dr. Mari Alkatiri
(20 de Novembro de 2014)
TÓPICO:
"A INTERVENCÃO DA CIÊNCIA, DA TECNONOLOGIA E
DO CONHECIMENTO AO SERVICO DO SER HUMANO"

MAGNIFICO REITOR!
ILUSTRES MEMBROS DO SENADO!
CAROS GRADUANDOS!

EXCELÊNCIAS!
As minhas primeiras palavras vão para os graduandos que perfilham diante de nós. E, permitam-me que me dirija a eles, e faço-o apresentando os meus parabéns a todos por mais uma etapa vencida no seu longo percurso de permanente actualização de conhecimentos para melhor se afirmarem nas suas vidas como cidadãos ao serviço da Nação e do Povo.
Meus caros Graduandos! Terminar a parte curricular e lectiva da vossa formação superior, significa apenas duas ou três coisas:
1. Que concluiram a parte mais curta do vosso contacto com a ciência através de um processo de aprendizagem mais acompanhado, onde foram sendo exigidos a responder as expectativas dos docentes e da parte mais nuclear da sociedade - as vossas famílias (que também, legitimamente se orgulham);
2. Uma graduação da natureza a que hoje assistimos, em qualquer Universidade do Mundo, só significa o fim de uma pequena parte da vossa formação superior, quiçàs, a parte menos exigente da mesma. Na procura do saber, na vontade de conhecer mais e mais e de entrar nas entranhas da ciência e no sentido de exercer maior domínio da técnica e da tecnologia, precisarão de continua e ininterruptamente estudar, investigar, criar e inovar. Em, suma, precisarão de ter coragem para não deixar que o vosso ego permita que os conceitos se transformem em pré-conceitos, a cultura em incultura, os valores em des-valores. Sempre que isto se verificar, quando algumas verdades absolutas deixarem de as ser, também deverão ter a coragem de as questionar e de contrapor com novas descobertas da verdade.
3. Obter a licenciatura significa simplesmente estar com licença para iniciar uma vida profissional. Durante o exercício das vossas respectivas profissões irão enfrentar grandes desafios que exigirão de cada um de vós modéstia suficiente para reconhecerem que precisam de ajuda dos mais experientes, de orientação na busca de mais conhecimentos, no desenvolvimento das vossas competências. A licenciatura é o grau necessário do conhecimento Cientifico. Mas os caminhos que deverão continuar a percorrer exigem mais dedicação, mais estudos, mais consultas, mais aprendizagem com base em análises comparativas de situações similares.
Por isso, meus caros graduandos! Alerto-vos para a necessidade de se prepararem cada dia mais. Ao longo das vossas vidas vão fazendo novas descobertas. Poderão chegar a conclusão que as vossas vocações não coincidem com as opções por vós feitas na escolha dos cursos que frequentaram. Mas, não se alarmem, porque os instrumentos fundamentais que adqueriram - a lógica no pensar e a racionalidade na tomada de decisões - servir-vos-ão como fundamentos aferidores das vossas capacidades para ultrapassar os desafios que se colocarem diante de vós. O importante é saber escolher os caminhos mais correctos no desenvolvimeto das vossas actividdes profissionais.
O pensamento lógico conduz-nos a uma visão científica das realidades e só na aplicação correcta e descomplexada da lógica poderemos encontrar o caminho certo "na procura da verdade" (Maria Lucia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires) na esteira do pensamento filosófico da antiguidade, da filosofia aristotélica.
A lógica ensina-nos a encontrar as premissas certas para desenvolver os nossos argumentos . As premissas ajundam-nos a sustentar a nossa conclusão. Toda a ciência se sustenta em procedimentos lógicos. E as Universidades são instituições previlegiadas de contacto com a ciência.
Independentemente dos cursos que concluiram, cada um na sua área, Eve a oportunidade de iniciação na abordagem dos fenómenos, tendo a filosofia (ainda que seja só fruto de aprendizagem por via da tradiçãao oral dos nossos lia nain) e a ciência como base. Visto por este ângulo, a lógica é a porta de entrada nos estudos científicos.
Meus caros Graduandos. A argumentação a favor do pensamento científico deve ela própria partir da premissa que a Ciência não é uma realidade estática. A aplicação das descobertas científicas vale aquilo que vale em função dos objetivos a que se pretende atingir.( EISTEIN descobriu o átomo. Desta descoberta nasceu a ciência nuclear. Ciência esta que antes de servir para fins pacíficos, foi uzado para matar). O mesmo se pode afirmar em relação a muitas outras descobertas na área da química, da biologia, da física, etc.
Todos sabemos que as descobertas científicas na área da medicina têm como objetivo prevenir e combater doenças.
Mas, os médicos, e demais profissionais de saúde aplicam as descobertas científicas para o tratamento de doentes que são seres humanos. Não devem assim perder de vista que a sua função é de tratar pacientes, que são seres humanos. E como seres humanos que são deve-se conhecer a história clínica de cada um, sempre que possível, para não se cometer o erro de o matar, em vez de o curar com o tratamento. Deve-se conhecer o meio social em que o doente está inserido para se definirem as melhores formas de acompanhamento dos mesmos, tornando o tratamento mais eficaz.
Comecei por dar como exemplo a área da saúde. Poderia também escolher a área de Agricultura. Este é o sector da economia onde também interagem conhecimentos empiricos e científicos. Estes dois conhecimentos, na sua interacção, nem sempre resultam em soluções sócio económicas e ambientais capazes de sobrepor as assimetrias urbano-rurais de desenvolvimento.
Os camponeses vão sendo cada vez menos camponeses e cada vez mais simples trabalhadores do campo. A sua ligação à terra é rompida. A sua qualidade de vida não melhora. Torna-se cada vez mais precária.
Os nossos profissionais de agricultura devem conhecer esta realidade social e gritante e conceber os seus planos de intervenção no sentido de incluir todos no processo de trabalho mas também que os resultados possam igualmente ser partilhados por todos.
Os profissionais de economia e de gestão, por outro lado, concebem o desenvolvimento de uma forma parcial, repetindo estatísticas e indicadores macro-económicos como se magicamente estes números nos conduzissem, por si só, a eliminação da pobreza. Mãos invisiveis que se tornam cada vez mais visíveis, não para regular, mas sim, para desregular.
Na verdade, os modelos económicos existentes, afirmando-se como verdades que se contradizem, que se combatem, caminham irreversívelmente para o esgotamento. A corrida para a industrialização rápida, seja para servir um modelo ou outro, prova-se inadequada para a sustentabilidade do Desenvolvimento sócio-económico, para a promoção da igualdade, para a sobrevivência da humanidade.
Tanto no campo como nas cidades a discriminação na base do género, e o desrespeito pelos menores e pelos grupos mais vulneráveis aumenta exponencialmete. A falta de inclusão social é visível. A desigualdade de género e a falta de inclusao social são um obstáculo global, e local, para o desenvolvimento.
O fenómeno do aquecimento global é um facto indesmentível nos nossos dias. Nas últimas décadas do século XX as grandes potências consideravam o movimento verde como uma simples moda, assim como o a luta contra a pobreza.
A defesa do ambiente e a necessidade de uma maior justiça distributiva da riqueza eram consideradas de importância marginal. A riqueza que foi criada nas últimas décadas acabaram por ser apropriada por uma minoria. Salvas raras excepções, toda a ciência e tecnologia desenvolvidas, longe de se tornarem património da humanidade ao serviço dos mais necessitados e em prol de uma sociedade mais justa, acabou por alimentar indústrias de dominação global, de imposição de valores, produzindo"primaveras" regionais em realidades sócio-culturais diferentes que hoje se transformaram em verdadeiros infernos globais neste nosso mundo cada vez mais assimétrico e auto-destruidor.
Depois da II Grande Guerra e, no inicio da escalada da guerra fria, dois modelos de desenvolvimento dividiam o Mundo entre Leste e Oeste.
O mundo tem vindo assim a experimentar ciclos de crises económicas com dolorosos impactos sociais e politicos. Durante décadas, em particular, depois da segunda guerra mundial, e ao longo do periodo da chamada guerra fria, tudo parecia concordar que os modelos de desenvolvimento existentes representavam opções paradigmáticas opostas, irreconciliáveis – um Mundo partido em dois blocos com dinâmicas políticas, económicas, culturais, hegemónicas e civilizacionais diferentes, diria mesmo, antagónicas.
Cada um dos modelos se assumia com exclusividade como superior ao outro, em toda a sua dimensão. Colocava-se como ponto de diferença fundamental a relação entre o indivíduo singular e o coletivo – o cidadão e o povo. Uns defendiam como sagrados os direitos do individuo, do cidadão, reduzindo a maioria à uma abstração coletiva. Outros colocaram-se do lado oposto. Reduziam o indivíduo, a pessoa singular, numa simples peça na máquina coletiva, num simples elemento sem vida autónoma, independente, colocando na penumbra social o que merecia de direitos, embora também de deveres e obrigações para com o todo.
O sacrossanto princípio do direito individual tinha como ponto mais alto o direito à propriedade ( na realidade prática, só para alguns) e outros direitos e liberdades “fundamentais”. Era, na prática, quase sinónimo de negação destes mesmos direitos à maioria, como entidade coletiva. Assumia-se, na verdade, que a maioria não passava de uma soma aritmética dos singulares. Não tinha personalidade própria. No entanto, em nome dela se faziam decisões sem que a mesma fosse considerada como a fonte de todos os poderes, o recurso para todas as legitimidades. Quando assim se escrevia, não passava de letras sem vida. 
Do lado contrário tinhamos os outros que só acreditam na virtude de uma posse coletiva dos bens, nomeadamente, dos meios de produção. Aqui, o singular só existia como parte da maioria. Não tinha personalidade própria, para além do direito de constituir e do dever de servir o todo. Qualquer afirmação da sua existência personalizada, personificada nos próprios direitos, era uma afronta à “sociedade nova” que se pretendia construir. Sociedade entre “iguais”, mas sempre a sociedade de desiguais – uns com deveres e outros só direitos. O indivíduo só existe na relação com outro indivíduo, na diluição no seio do todo, afogado no cotexto de uma “moral” societária da “sociedade nova” livre de “exploração do homem pelo homem”. Na implementação nascem as elites de autocratas que se sucedem, mas sempre dentro da mesma lógica do exercício do poder. Era, na verdade, a teoria a ser negada pela prática, a ciência a ser executada sem o respeito necessário pelas liberdades individuais.

Uns e outros acabam por criar sociedades dissimuladas e instrumentalizadas, sem sentido de pertença coletiva e global, porque discrimitória, segregacionista, complexada. Sociedades sem harmonia, negadora da inclusão social e económica e, como tal, permanentemente em conflito e auto-destruidora.
Na verdade, não se sabia assumir com honestidade e de um modo coerente que a questão central do desenvolvimento está no ser humano. A cidadania devia significar a autonomia individual na interdependência no seio e no interesse do todo a que pertense, na capacidade de se afirmar como um ser eminentemente social, defensor da inclusão e da harmonia.
É inegável que o ser humano é um ser eminentemente social. Como tal, é parte de um todo que se dá pelo nome de sociedade. Por isso, o singular só existe quando é capaz de se interagir no seio do todo, do plural social, político, cultural e económico, mas sempre com personalidade própria. É na inclusão e na participação onde se encontra a chave de qualquer processo de desenvolvimento justo e equitativo, equilibrado, sustentável e sustentado.
A exclusão social, politica e económica é sempre factor gerador de crises, de conflitos. O monopólio da verdade, do direito de usar e abusar, do benefício exclusivo dos resultados positivos só para uma minoria e a ganância pelo lucro instabiliza a economia, abre caminho para uma acumulação galopante e improdutiva por via da especulação financeira, do tráfico de influências, da ausência de transparência nos atos de gestão económica e financeira, da apropriação indevida, da corrupção. Nada disso contribui para a criação de um desenvolvimento económico saudável na medida em que exclui, discrimina, segrega, gera crises multiformes, desagrega.
Na esteira deste raciocínio se pode afirmar que os modelos de desenvolvimento conhecidos já não encontram soluções dentro das suas respetivas linhas de pensamento, do seu agir filosófico, das suas formas de abordar os fenómenos para superar os problemas, dos seus paradigmas – dentro das suas fronteiras teóricas e práticas. Faliram. Desmoronaram-se. Auto-destruiram-se.
Contudo, no seu devido tempo, dentro da sua própria conjuntura, também tinham fundamentos teórico-científicos. Só que durante o processo de desenvolvimento, deixaram-se encurralar pelos interesses imediatos, mesquinhos. Não foram capazes de acompanhar a dinâmica do processo científico, descobrir novos paradigmas, actualizar valores. O pensamento económico passou a fundamentar-se simplesmente nos indicadores macro-económicos que traduziam os vários dígitos do crescimento, ignorando, muitas vezes, a realidade e os índices do desenvolvimento humano. Assim, tornou-se dominante a abordagem económica viciada sem considerar o sociológico e filosófico. Todos sabemos que, do ponto de vista de desenvolvimento, tudo que lançarmos à terra para se reproduzir precisa de uma boa semente e de um solo fértil. E a semente, por melhor que seja, para se reproduzir e se desenvolver deve ter a capacidade de negar-se a si próprio, morrer como semente para gerar a planta, a árvore, as flores, as frutas, as florestas, os pomares, os jardins, a fauna, a flora. Esta é lógica natural do processo de desenvolvimento. A mesma lógica se aplica ao desenvolvimento do conhecimento, tanto na sua vertente teórica como prática.
Aqueles que pensam em mãos invesíveis milagreiras para determinar o equilíbrio entre a oferta e a procura, tudo o que têm feito é cada vez menos justiça distributiva e mais especulação financeira, gerando distorções no mercado e marginalização dos mais necessitados, enfraquencendo ou a oferta, ou a procura. 
Perante isso, procuram em cada ciclo de crises voltar a especular sobre o descalabro de anteriores atos de especulações como forma de superar a tendência negativa do crescimento económico, a inflação, e recessão, sacrificando sempre àqueles que mais precisam, engrossando mesmo o número destes. Criam-se hoje algumas classes médias para servir de base a todo o sistema, classes essas que amanhã serão sacrificadas em nome de “reajustamentos estruturais," ou da " reforma do sistema” para se superar cada ciclo de crises. 
O erro não está no mercado como factor dinamizador e, quiçàs, regulador da economia. O erro está na utilização desregulada do mercado, deixando lugar ao consumismo especulativo que termina criando bolhas incontroláveis, balões que rebentam na impossibilidade de resistir ao aquecimento do próprio ambiente socio- económico.

Por outro lado, um modelo que recusa o mercado como elemento de dinamização da economia, parte já de uma premissa errada. Sem competividade, entra-se na estagnação, promove-se a mediocridade, corrompem-se os quadros mentais e institucionais, ignora-se o verdadeiro sentido da economia, o verdadeiro valor dos bens, até mesmo o verdadeiro valor do conhecimento, da inteligência ao serviço da humanidade. Entra-se no Estado providência, na sociedade de dependências e de dependentes.
Mas, é bom frisar também que um modelo económico que ignora a componente social do desenvolvimento gera necessariamente conflitos porque discrimina pela falta de inclusão e equidade, pela ausência de justiça social distributiva da riqueza, fruto do trabalho de todos. Em suma, não cria condições para mobilizar e organizar na identificação de causas comuns pelas quais todos se juntam na sua defesa porque se sentem parte da mesma causa, dos mesmos objetivos. O sentimento de pertença é o elemento fundamental de reforço da unidade no seio da sociedade. A sociedade nova deve ser inclusiva, justa, dinâmica. Deve saber valorizar as qualidades individuais e reconhecer a necessidade de assumir a diferença como uma riqueza dinamizadora do progresso do todo.
As sociedades se mobilizam com sentido de pertença à uma causa comum e se organizam para atingir objetivos e resultados donde todos serão parte como atores e como beneficiários. Não deve ser nunca exclusivista (nem mesmo de auto- exclusão), discriminatória ou segregacionista ou mesmo de auto-segregação.
Por isso, urge construir novos paradigmas e formatar um modelo capaz de trilhar novos caminhos e explorar novas potencialidades de modo a superar os já existentes. Estes já estão esgotados dentro do seu próprio formato, viciados na sua substância, incapazes de encontrar soluções inovadoras dentro do seu quadro de pensamento.
Por isso, o modelo que se quer deve alicerçar-se na síntese dos anteriores e capaz de os superar com soluções integradoras, globais e sustentadas, soluções a favor do progresso de toda a sociedade do mundo global. Qualquer tentativa de “humanizar” um ou outro modelo individualmente estará votado ao fracasso. Queremos dizer de uma forma clara que a humanidade precisa de uma saída nova capaz de superar as fraquezas dos dois principais modelos de desenvolvimento e desenvolver as virtudes de ambos. A globalização e o desenvolvimento imparável da tecnologia de informação aproximam os povos e criam condições para, mais facilmente, internacionalizar o novo modelo de desenvolvimento e trazer uma nova esperança para os discriminados, os mais desfavorecidos. Será um mundo de todos e para todos, da raça humana. Será um mundo onde a igualdde deve começar na igualdade do gênero e no fim das assimetrias campo-cidade.
Esta síntese deve começar por traduzir-se na construção de uma economia com forte componente social, um ambiente que saiba manter como factor de dinamização um mercado dinâmico superiormente regulado de modo a garantir a justiça social e a equidade distributiva. O segredo está na capacidade de incluir todos de modo a que, cada um a seu nível e capacidades, se sinta parte do processo. Com isso queremos dizer que se deve desenvolver um claro sentido de pertença nesta luta prolongada para a emancipação social e económica. 
A Economia Social de Mercado que defendo é, assim, um conceito que desafia os paradigmas e modelos de desenvolvimento já esgotados, mesmo aqueles mais avançados.

Como novo modelo assume-se que as crises cíclicas económico-financeiras têm como base paradigmas e modelos de desenvolvimento impregnados de algumas fraquezas, prenhes de muitos vícios, dominados pelo egoismo segregacionista. 
Na procura de um modelo novo se decidiu pela criação de Zonas Especiais de Economia Social de Mercado em Timor-Leste e escolheu-se o enclave de Oe-Cusse Ambeno e a Ilha de Ataúro como territórios para iniciar o Projeto Piloto. 
O conceito Economia Social de Mercado, visto e interpretado literal e historicamente, não constitui nenhuma novidade. Já Alfred Muller Armak (1901 – 1978), na sua obra intitulada Direção Económica e Economia de Mercado, escrita em 1946 (logo depois da II Guerra Mundial), não só avançou com o conceito de Economia Social de Mercado como, em colaboração com outros pensadores, contribuiu para o desenvolvimento da teorização do mesmo. 
Mas, na verdade, ao longo de séculos, os modelos existentes vivem as contradições próprias do desenvolvimento civilizacional determinadas pelo modelo económico vigente.

No período da globalização, a civilização capitalista atravessou fronteiras geográficas, políticas e sociais e mesmo de mentalidades. Mesmo aqueles que pouco ou nada beneficiam do sistema, em termos comportamentais, adoptam uma postura formatada pelo modelo dominante. Assim, buscam reflectir atitudes próprias de uma civilização da qual nada beneficiam. Demonstram, com isso, terem sido influenciados por valores que, mesmo mantendo-se o modelo, nunca serão deles.
MAGNÍFICO REITOR!
MEMBROS DO SENADO. !
CORPO DOCENTE! 
CAROS GRADUANDOS!
Excelências!

O conhecimento humano, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia deve ser assumido como património da humanidade.
Só assim podemos garantir que a intervenção da ciência, da tecnologia e do conhecimento possam servir todo o ser humano, criando riqueza com o objetivo de combater a pobreza e de elevar a qualidade de vida de todos e de cada um. Uma qualidade de vida que seja acessivel a todos, homens e mulheres, de forma inclusiva e não discriminatória.
Enquanto este equilíbrio não for encontrado, o mundo continuará um palco de conflitos de toda a ordem e, qualquer tentativa de os resolver sem ter em consideração a realidade das diferenças e dos desiquilibrios não nos levará a nenhuma solução. Conduzir-nos-à certamete a novos conflitos, a novas crises.
Tenho dito
Dili, 20 de Novembro de 2014 
Dr Mari Alkatiri

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